Animais post mortem vingativos
Há animais que, mesmo depois de mortos, conseguem irritar o ser humano. Animais que, pela força da evolução, parecem ter-se adaptado com o único propósito de: causar chatice ao Homem.
Tal como existem animais que desenvolveram mecanismos de defesa para se defenderem dos seus predadores, existem também animais com mecanismos de azucrinamento.
Entre estes — e são muitos, demasiados — destaca-se a sardinha. A estrutura “óssea” deste bicho foi concebida para provocar o maior incómodo possível aos rapazes numa sardinhada de Santo António. As espinhas, finas mas afiadas, escondem-se traiçoeiramente entre a carne, com o objetivo, não de proteger o animal dos predadores, mas sim de arranhar a garganta dos predadores. Sendo apenas combatido através de pão e cerveja para empurrar.
Ao predador, é importante acautelar-se. Algumas espinhas aparentam ser inofensivas, mas são verdadeiras traidoras de garganta alheia.
Por falar nisso, também a própria alheira é um alimento muito irritante. Mas na verdade, não tenho como desenvolver, porque só queria dizer “alheira” depois de “alheia”.
Carne de porco!
Certas carnes do porco também são muito irritantes — rijas, difíceis de mastigar. Também o próprio porco, coitado, sem forma de se defender do Homem, decidiu endurecer partes do corpo apenas para maçar quem viesse a comê-lo.
Os camarões também são deliciosos – principalmente com um frasco de maionese a acompanhar – mas por vezes muito chatos de descascar. A gordura evoluiu de modo a provocar o maior desconforto possível nos dedos — mais precisamente, naquela parte superior da falangeta onde começa a crescer a unha.
Os caracóis, valha-me Deus!
Ao ferverem na panela, esconderam-se o mais longe possível na sua carapaça, apenas para irritar os rapazes no café a ver a bola.
Texto
O VAZ