Aves Migratórias
Muito se tem falado de imigração. Dos que entram e saem. Os países são muito vocais. “Basta!”, dizem alguns. “Mais!”, dizem, praticamente, nenhuns. Muito se fala dos imigrantes indostânicos, dos imigrantes brasileiros, muçulmanos e africanos. Nada contra eles. Mas pouco se fala das aves. Aves migratórias. Neste caso, sim, tudo contra essas aves migratórias filhas da puta.
Viajam para todos os países da Europa sem qualquer tipo de passaporte ou registo criminal. Sabe-se lá. Sabe-se lá o que estas andorinhas e cegonhas já provocaram. Talvez acidentes de carro. Como é sabido, estas aves têm a mania de se atirarem em voo picado para a frente dos carros nas autoestradas.
Têm as portas escancaradas! Como se pode reparar nos primeiros meses de primavera. Vêm aos milhares. E o governo continua a não fazer nada em relação a isso.
Porque isto são pássaros, hã, isto são pássaros que vêm lá das Africas, do Bangladesh ou o caralho, e que não têm qualquer tipo de respeito pela nossa cultura. Voam de qualquer maneira. Ingratos. Cagam em todo o lado. Quando toda a ave portuguesa sabe perfeitamente que cagar só em estátuas e para-brisas de automóveis.
E esta é outra, hã, esta é outra. Estas aves migratórias são tão nojentas que vivem na própria merda. Constroem casas de merda, feitas a partir da sua própria merda – como é o caso das andorinhas – e vivem na merda sem qualquer tipo de condições humanas. Sem saneamento básico. Sem nada! E, para além disso – e por causa disso – estão a dar cabo da merda do mercado imobiliário do Algarve.
Questionem-se! Atire a primeira poia quem já alugou uma casa de férias em cabanas de Tavira e não se deparou com um ninho de merda de andorinha no canto do teto da varanda.
E MAIS!
Isto são aves, hã, isto são aves que não trabalham e andam prai a comer as minhocas do nosso solo português. Não descontam. Só recebem, foda-se. Não dão para nenhum peditório. Para além disso, ainda se aproveitam das nossas escolas de aviação portuguesas.
Até as escolas! Hoje em dia, as escolas de aviação para os passarinhos portugueses aprenderem a bater as primeiras asas estão a abarrotar de aves migratórias. De entre todas aquelas andorinhas castanhas, não se vê UMA gaivota branca. Nada! Tudo castanho. As listas de nomes das turmas são o mais chocante: Andorinha Muahmed; Cegonha Khalid; Rouxinol Triseu. Já não se vê uma boa Pomba Zé, Pombo Paulo ou Pomba Benedita – no caso da linha de Oeiras.
Então e nós?! Hã!
O que diria o nosso compatriota Gago Coutinho – ilustre voador – sobre os seus céus portugueses? Invadidos. Despatriados. Essas aves migratórias africanas, filhas da puta.
O que nos salva, nação portuguesa, é que só estão cá meio ano. Igual ao meu primo Carlos. Que está imigrado na Suíça já vai para 12 anos e também só vem no verão. As saudades. É um excelente rapaz. E não é castanho.
Texto,
Gabriel Leal Vaz.